Tapping (EFT): técnica para regular emoções e ansiedade
- Rui José
- 7 de fev.
- 5 min de leitura
Atualizado: 18 de fev.
Descubra o que é Tapping (EFT) e como essa técnica pode transformar sua vida
Você olha o celular e vê: ...nada!
A mensagem foi enviada faz tempo. A pessoa visualizou. Não respondeu. E, sem pedir licença, algo muda por dentro: o peito aperta, a mente corre, a garganta fecha. Um alarme discreto acende — ninguém ouve, mas você sente.
Você tenta ser racional: “deve estar ocupada”. Só que o corpo não discute lógica. Ele responde a uma memória antiga: ser ignorada, ser deixada, não ser importante.
Algumas feridas não ficam no passado como lembrança. Elas ficam no presente como reação.

E quando esse alarme liga, não adianta só “pensar positivo”.
Em vez de tentar convencer a mente de que “está tudo bem”, o caminho é outro: ensinar o sistema nervoso que agora existe segurança — e é exatamente aí que a EFT (Tapping) entra, de um jeito simples, prático e profundo.
Quando o corpo pede socorro (e a gente chama de “ansiedade”)
Se você se identifica com alguns pontos abaixo, respira: isso é mais comum do que parece.
Aperto no peito, respiração curta, coração acelerado.
Nó na garganta, travamento para falar, vontade de chorar “sem motivo”.
Tensão no maxilar, ombros e pescoço (como se o corpo não desligasse).
Mente acelerada, pensamentos repetitivos, necessidade de prever tudo.
Irritação e impaciência que sobem rápido.
Cansaço e desânimo que não melhoram nem com descanso.
Medo de desagradar, dificuldade de dizer “não”, necessidade de agradar.
Sintomas que pioram em fases de estresse (dores, tensão, aperto, desconfortos recorrentes).
Esses sinais não provam que você é fraca. Muitas vezes provam o contrário: você ficou forte cedo demais.
Como o sistema nervoso guarda “feridas” (Teoria Polivagal, do jeito simples)
A Teoria Polivagal (Stephen Porges) ajuda a entender por que você pode até “saber” que está tudo bem… e ainda assim sentir o corpo em alerta, travado ou exausto.
De forma bem simples, nosso sistema nervoso alterna entre três modos:
Segurança e conexão (ventral vagal): presença, calma, clareza, vínculo, capacidade de sentir sem se perder.
Alerta (simpático: luta ou fuga): ansiedade, tensão, pressa interna, irritação, controle, hipervigilância.
Travamento/desligamento (dorsal vagal): apatia, congelamento, vazio, exaustão, “não consigo reagir”.
O sistema nervoso não é moralista. Ele é protetor. Ele avalia o mundo com uma pergunta silenciosa:
“Isso é seguro para mim?”
E costuma responder antes da mente.
É por isso que, às vezes, uma coisa pequena pode acender uma reação grande: um silêncio, uma crítica, um olhar, um afastamento, uma resposta curta. O corpo não está exagerando — ele está reconhecendo um padrão antigo e tentando te proteger.

Se você sente que algumas reações se repetem (medo de rejeição, sensação de abandono, vergonha, necessidade de agradar, rigidez, autocobrança), isso pode ter relação com feridas emocionais antigas — muitas vezes formadas lá atrás, na infância, mesmo que você não perceba claramente. Eu explico isso com mais profundidade neste outro artigo: Além do Óbvio: Como Emoções Escondidas Bloqueiam Sua Vida e qual a solução.
O que é Tapping (EFT)?
A EFT (Emotional Freedom Techniques) — também chamada de Tapping — é uma técnica que combina:
Batidinhas leves com os dedos em pontos específicos do corpo.
Frases focadas para acessar e acolher emoções, gatilhos e sensações físicas.
Ela é simples o suficiente para você aprender e praticar. E profunda o suficiente para tocar camadas antigas, principalmente quando a emoção “mora no corpo”.
Por que o Tapping funciona para regular emoções (e soltar gatilhos antigos)
A EFT costuma ajudar porque trabalha no nível em que o gatilho liga: no corpo e no sistema nervoso, não só no pensamento. Na prática, o Tapping faz você juntar três coisas ao mesmo tempo:
Acesso ao tema (você toca na emoção, no gatilho ou na sensação física).
Regulação corporal (o Tapping é um estímulo rítmico e previsível, que pode sinalizar segurança).
Linguagem emocional (você nomeia e valida o que sente em vez de brigar com isso).
Em termos simples: com repetição e segurança, o corpo aprende que pode sentir sem entrar em perigo. E quando o corpo entende isso, o gatilho tende a perder força.
Muita gente descreve assim:
“Eu lembro… mas não me desorganiza.”
"Eu senti, mas eu consegui voltar para mim.”
Se você percebe que o seu corpo entra em alerta rápido demais, você não precisa atravessar isso sozinha. Se fizer sentido, clique abaixo e me chame para eu te explicar como funciona o acompanhamento.
Exemplo simples de Tapping (EFT) para medo de rejeição (Exemplo do gatilho de mensagem)

Cena comum: você manda uma mensagem e a pessoa demora a responder. O peito aperta. A mente cria histórias. A garganta fecha. Você quer se explicar… ou quer sumir.
Você pode tentar esta prática para um gatilho leve a moderado.
Importante: se surgir memória muito intensa, pânico, tremor forte ou sensação de “desligar”, faça a prática com acompanhamento terapêutico para manter segurança.
1) Nomeie o que está ativo agora
Ex.: “Esse medo de rejeição no meu peito.”
2) Dê uma nota de 0 a 10
Ex.: 8.
3) Frase de preparação (batidinhas no ponto do caratê da mão)
Repita 3 vezes:
“Mesmo com esse medo de rejeição, eu me acolho agora.”
ou
“Mesmo com esse aperto no peito, eu escolho segurança no meu corpo agora.”
4) Rodada curta (frases simples, sem performance)

Enquanto faz Tapping, pequenas e leves batidas com a ponta dos dedos indicador e médio seguindo os pontos da EFT, (conforme figura ao lado) repita frases curtas como:
“Esse medo no meu peito.”
“Meu corpo entrou em alerta.”
“Uma parte minha acha que vai ser deixada.”
“Eu reconheço essa parte.”
“Eu permito que meu corpo solte um pouco disso agora.”
“Agora eu estou aqui, presente.”
5) Reavalie a nota
Pergunte: “Quanto está agora, de 0 a 10?” Se cair para 5, 4 ou 3, você pode fazer mais uma rodada focando no que restou.
O objetivo não é virar “blindada”. É virar alguém que se regula e escolhe, em vez de ser arrastada pelo gatilho.
Vídeo: demonstração prática de Tapping (EFT)
Se você aprende melhor vendo alguém fazer, deixei aqui uma demonstração prática (um vídeo mais antigo meu, de quando eu atuava no espaço Equilíbrio Essencial) mostrando os pontos do Tapping (EFT) e como conduzir uma rodada. Você pode dar play e acompanhar junto *CLIQUE AQUI
Depois, volte aqui e siga o passo a passo com o seu gatilho específico.
Se durante a prática você perceber travamento, choro intenso ou uma sensação de “perder o chão”, vale fazer com suporte para atravessar com segurança — é para isso que eu atuo com terapias integrativas, de forma acolhedora e respeitosa com o seu tempo.
O que costuma mudar na prática (quando você insiste um pouco)
Quando a EFT começa a funcionar de verdade, o ganho costuma ser bem concreto:
O gatilho vem, mas não te sequestra.
Você sente emoção, mas não se perde nela.
Você respira melhor e pensa com mais clareza.
Você reduz o impulso de agradar, explicar ou sumir.
Seu corpo relaxa (e isso pode influenciar dores e tensões ligadas ao estresse).
Você não vira outra pessoa. Você volta para você.
Como praticar sem abandonar no meio
Faça 5 a 10 minutos por dia (curto e constante).
Escolha um foco específico (um gatilho por vez).
Use frases verdadeiras (a EFT não exige positividade).
Respeite limites: se vier trauma forte, desacelere e busque suporte.
A ideia não é fazer uma sessão perfeita, e sim criar um hábito gentil de se perceber e se regular, um pouco de cada vez.
Conclusão: segurança interna não é luxo, é base.
Se você sente que carrega um “alarme ligado” no corpo, talvez não seja drama. Talvez seja proteção antiga.
O Tapping é uma ferramenta simples para ajudar o sistema nervoso a descer o volume do alerta, reduzir gatilhos e devolver para você algo essencial: segurança interna.
Se você sente que seu corpo entra em alerta com frequência (ansiedade, dores e tensões que pioram no estresse), um acompanhamento pode ajudar a investigar os gatilhos com segurança e construir regulação aos poucos.
Meus atendimentos podem ser presenciais em Santo André (SP) ou online. Se fizer sentido para você, veja as formas de falar comigo nos formulários de contato ou clique no botão para me chamar do WhatsApp.


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